Sebastião Silva é um dos “meninos do pedregal” que frequentaram o Ateliê Livre da UFMT desde 1981. Na época com apenas 12 anos o artista conviveu com a crítica de arte Aline Figueiredo e com artistas como Nilson Pimenta aproveitando a riqueza do ambiente para aperfeiçoar sua técnica artística ao longo dos anos.
“O artista considera três fatos importantes na sua vida: o Ateliê Livre da UFMT, o curso de História na UFMT, e o contato com a natureza no sítio de Jangada. A rodovia que corta o município de Jangada com caminhões cheios de toras, atestam o tráfego e o tráfico de madeira que há muito assola este velho Mato Grosso, são memórias de sua infância que agora estão vindo à tona.” Aline Figueiredo.
“Creio que o trabalho de Sebastião Silva é um desses picos da arte mato-grossense. Além do talento, nos apresenta qualidade técnica e inventividade, sempre na reflexão da crítica social, uma característica de nossas artes plásticas. Refletindo o momento, pela circunstância toda, pelos problemas dos incêndios, da devastação das florestas, o tema reatualiza sua universalidade e está presente em todas as mídias, mundialmente. Está também presente no ateliê de Sebastião Silva já há algum tempo, porque sendo uma pessoa de sítio, convive com a natureza e participou de todos esses fenômenos: queimadas maiores, menores, talvez até queimadas ingênuas que no passado só se usava para adubar a terra.
O artista apresenta um trabalho que nos associa imediatamente a uma arqueologia, pois ele desenterra fragmentos para obter matéria prima para sua expressão. É um artista que vem dessa experiência, sempre observador, reparando nos objetos, sobras de madeira e raízes. Sempre gostou de cavucar paus enterrados e descobriu formas incríveis ao revelá-las, acariciá-las, e de certo modo, moldá-las através de uma lixa, uma plaina, sentindo ali uma sensualidade melhor para o tato de suas mãos. Enfim, um trabalho muito tátil também, além da visualidade.
Começou a pintar inspirado na cultura popular, a princípio violas de cocho, depois as violas de cocho se transformaram em corpos femininos, e agora voltaram à sua própria essência, raiz, àquilo que é a sua matéria prima, a madeira. Assim ele foi se achegando à madeira, numa associação da madeira/arte como suporte de pintura, até à redescoberta da madeira que ele tinha no seu sítio, separando objetos, paus, troncos, serragens, folhas e toda sobra que encontrava. Mas não ficou aí, abriu um leque de comentários sobre os crimes ambientais nos contrapontos do seu trabalho. Pois também nos relembra a floresta em sua exuberância. Atualmente Sebastião Silva faz graduação em história na UFMT, sua velha e conhecida instituição referência. Ali se encontra o Ateliê Livre frequentado por ele e outros jovens pré-adolescentes dos arredores que acabaram entrando para a história como “meninos do Pedregal”. Naquela ocasião a Universidade deu um carinhoso acolhimento ao bairro do Pedregal, que revelou importantes artistas como Adir Sodré e Nilson Pimenta, entre outros, e o próprio Sebastião Silva, ainda residente nesse ex-subúrbio que se agigantou na Cuiabá moderna.” Humberto Espíndola.
Fonte: Plataforma Cultura e Vivência da UFMT - https://macpufmt.wordpress.com/2020/04/22/exposicao-fogo-cerrado/
Obras

SEBASTIÃO SILVA
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