Adir Sodré de Souza (Rondonópolis, Mato Grosso, 1962 – Cuiabá, Mato Grosso, 2020). Pintor e desenhista. Sua obra se destaca pelo colorido exuberante e pela temática social de caráter irreverente.
Passa a infância no interior do Mato Grosso e muda-se para Cuiabá aos 15 anos. Em 1977, frequenta o Atelier Livre da Fundação Cultural de Mato Grosso, onde é orientado pelos pintores Humberto Espíndola (1943) e Dalva (1935). Nos dois anos seguintes, integra, com o pintor Gervane de Paula (1962) e outros artistas, um grupo que procura renovar a arte mato-grossense. Nessa época, participa de exposições coletivas organizadas pelo Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso (MACP/UFMT). Suas pinturas são um registro da vida cotidiana nos bairros populares de Cuiabá e da paisagem local.
Na década de 1980, Adir Sodré inclui em suas obras temáticas relacionadas aos povos indígenas, à cultura regional, à invasão causada pelo turismo em determinadas regiões do Brasil e ao consumismo, como exemplificado no quadro Dolores Descartável (1984).
O pintor participa, entre outras, das coletivas Como Vai Você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro, em 1983, e Modernidade, Arte Brasileira no Século XX, no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1987. Em 1986, recebe o prêmio de artista revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
O artista apropria-se de imagens históricas da cultura ocidental e mantém diálogo constante com a tradição da história da arte. Revela admiração pelo pintor francês Henri Matisse (1869-1954), empregando cores puras e elementos decorativos em obras nas quais o erotismo é muito presente, como em Falos e Flores (1986) ou Orgia das Frutas (1987). Em sua obra, é constante a repetição de flores, frutas, borboletas em imagens que revelam uma conotação sexual provocativa.
Produz também retratos de personalidades, partindo da reprodução fiel da fisionomia, mas fazendo uso do humor. Faz referências, entre outros, aos pintores holandês Vincent van Gogh (1853-1890) e espanhol Diego Velázquez (1599-1660). Aproxima-se também do universo dos quadrinhos, como expresso em Almoço na Relva VII (1988).
Adir Sodré expressa em sua obra traços de nossa cultura e natureza, com irreverência e um colorido marcante, e se afirma como um dos maiores pintores brasileiros de sua geração, cujo trabalho é reconhecido não apenas no Brasil, mas também no exterior.
Fonte: Itaú Cultural
Obras

ADIR SODRÉ
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